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O par de sapatilhas

La paire de tennis

Ora, bom dia, apresento-nos: somos o Sapatilha Pésquerdo e o Sapatilha Pédireito. Somos um par de sapatilhas. Quer dizer, um velho par de sapatilhas. Hoje, a Mãe decidiu que eu e o Pésquerdo estávamos bons para sermos atirados para o lixo.
Todavia, lembro-me da época maravilhosa em que estávamos bem arrumadinhos na prateleira da loja: de pele branca, com uma lista azul de cada lado e borracha à volta para nos proteger das pancadas. Uns atacadores grandes e completamente brancos ornavam os nossos ilhoses.
E um dia, o Jerónimo escolheu-nos, sem hesitar, por desespero da Mãe que nos achava demasiado caros. Mas o Jerónimo ganhara a batalha e levara-nos com ele. Desde esse dia, uma vida maravilhosa começara.
Assim que nos calçava, partíamos para a aventura. Pésquerdo não gostava particularmente das tardes em que Jerónimo andava de bicicleta porque o Jerónimo Tinha tendência a utilizá-lo como travão. Quanto a mim, receava os jogos de futebol com os amigos porque voltava sempre a casa com muitos galos.
Todos os Domingos à noite, a Mãe ralhava porque estávamos sujos e o Jerónimo tinha de nos lavar. Houve um dia que até fomos parar à máquina de lavar. Não gostámos muito da experiência. Mas para que o Jerónimo pudesse calçar-nos, estávamos prontos a fazer qualquer sacrifício.
Um dia, o Jerónimo decidiu partir para a aventura na floresta que ficava atrás da casa. Nesse dia, o Jerónimo não nos tratou com muito cuidado: pensava somente nas suas brincadeiras e pouco em nós. Com ele, combatemos animais ferozes, saltámos por cima dos rios e dos precipícios, conquistámos terras selvagens. Graças a nós, o Jerónimo escapou aos inimigos, salvou formosas princesas, amedrontou os monstros e as bruxas más. Ele era o gentil cavaleiro e nós as suas fiéis “botas do Gato das Botas”. Durante horas a fio chapinhámos nas poças de água, trepámos às árvores, escalámos rochas. No final do dia, estávamos sujos e molhados; aliás, Pésquerdo começava a descoser-se de um lado. Fora o dia mais belo das nossas vidas.
Mas quando regressámos os três a casa, tivemos de suportar a fúria da Mãe e Jerónimo foi castigado durante uma semana por ter perdido os atacadores e, sobretudo, por ter chegado a casa quando já o céu ficava escuro.
Depois, o nosso estado deteriorou-se cada vez mais, dia após dia. Os pés do Jerónimo começaram a ficar demasiado grandes para nós. A Mãe decidiu substituir-nos e o Jerónimo depressa se esqueceu de nós quando viu o seu novo par de sapatilhas.
A Mãe achou então que éramos pouco dignos para os pés do irmãozinho do Jerónimo. Assim, desde essa fatídica manhã, cá estamos nós no caixote do lixo, entre o caroço da maçã e garrafa de cola, à espera que os homens do lixo venham buscar-nos. Então, adeus, a vida é demasiado curta para um par de sapatilhas!
“Ei! Pédireito! Acho que falaste rápido demais ! Olha para aquele rapazito sentado no passeio. Há já algum tempo que está a olhar para nós. Bem, olha, vem na nossa direcção. Acho que ainda não é o fim da nossa história!”


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